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segundo tratado da má educação
Segundo Tratado da Má Educação

APRESENTAÇÃO

O Segundo Tratado da Má Educação foi escrito para pais de alunos e professores. Eles precisam de um manual de autoajuda para se defenderem das bobagens acadêmicas. 


Desde os gregos e os romanos, que os ricos têm uma educação que permite que eles lidem com a realidade. Isso significa que Matemática, Geometria, Ciências, sempre estiveram nas propostas de educação dos bem-nascidos. Por outro lado, os pobres só começaram a ser educados depois que Martinho Lutero disse que todo cristão deveria saber ler a Bíblia, sem precisar da intermediação de um padre ou de uma instituição para que pudesse se comunicar diretamente com Deus.


Isso significa que a diferença entre a educação dos ricos, que começou 400 anos antes de Cristo, e a educação dos pobres, que só começou 1500 anos depois de Cristo, têm uma história completamente diversa. Aquilo que os ricos recebem é chamado de educação de qualidade. Aquilo que os pobres recebem é uma educação que serve simplesmente para controlar a vida das populações e deixá-las tranquilizadas e crentes de que elas podem alcançar mundo melhor. A educação para a população em geral, nasceu da educação derivada da religião.


Muita gente, até hoje, confunde educação com religião. Dizem até que é um sacerdócio. Por outro lado, a educação acabou recebendo uma série de influências das ideologias que foram desenvolvidas tanto à esquerda quanto à direita, baseadas nas discussões das ideias do filósofo alemão Immanuel Kant.


Havia muito de religioso na filosofia de Immanuel Kant e seus imperativos categóricos, ou seja, a ideia de que você não deve fazer aos outros aquilo que não seja feito a você mesmo, está na base de suas conclusões. O primeiro a divulgar essa ideia foi o filósofo chinês Confúcio por volta de 500 anos antes de Cristo. 


Mas tanto ideologia quanto religião devem ficar fora da escola, como sempre aconteceu desde que os gregos e os romanos perceberam que era obrigatório educar as elites. Não podemos mais no século 21, continuar usando ideias e preconceitos que foram utilizados como paradigmas no século 19.
 

Quando você pensa uma educação para ricos, você pensa basicamente numa educação do indivíduo. Quando você pensa a educação para pobres, você pensa, principalmente, uma educação para a massa, ou seja, para muitas pessoas.


Isso acaba criando uma diferença muito forte entre a maneira de pensar a educação para os ricos e a maneira de pensar a educação para os pobres. Os intelectuais de esquerda perceberam que os trabalhadores eram explorados e vendiam sua força de trabalho para os ricos, ao mesmo tempo que as elites perceberam que era necessário dotar seus filhos de espírito empreendedor e individualista para que pudessem aproveitar a ciência e a tecnologia para ganhar dinheiro. Daí nasce toda discussão sobre a educação.


O próximo ponto é que cultura e educação convivem, mas não são a mesma coisa. 2 + 2 é 4, não importa se o país adota um governo de esquerda ou de direita. Um ângulo reto terá sempre 90º, não importando se as meninas vão à escola ou se são proibidas de ser educadas. Então, o que nós percebemos é que, seja em Matemática, mas também em Biologia e em Geografia, e no limite, até mesmo em História, existem maneiras que são em si formas de pensar a realidade com determinadas ideias que nós convencionamos chamar de verdades. Ou seja, verdades são as coisas que se mantém as mesmas não importa onde. 

Por outro lado, os conhecimentos advindos das religiões e das ideologias mudam e se adaptam o tempo todo. Aquilo que poderia ser uma convicção religiosa no século 19, talvez não seja mais no século 21. Aquilo que poderia ser uma certeza ideológica no século 19, talvez não seja mais no século 21. Nesse sentido, é importante perceber que tentar explicar a realidade do século 21, do ponto de vista da cultura, com pensamentos e ideias do século 19 ou do século 20, demonstra uma defasagem cultural que a educação, em princípio, não precisa ter. 
Até porque as descobertas que fazemos nas ciências, acabam chegando à escola de alguma maneira. Ensinar para as pessoas como funciona um forno de micro-ondas, um chip de computador ou a poluição do plástico, é uma coisa que só pode existir hoje e que não poderia existir no século 19. Esses objetos simplesmente não existiam naquele tempo. 

As elites acreditam que educação é um dever, enquanto as massas acreditam que educação é um direito. A diferença é que o dever é uma coisa que uma pessoa assume e cujo esforço deve ser exclusivamente individual e que alcance alguma meta.


Um direito é uma coisa oferecida. A ideia do direito não estimula que uma pessoa se sinta instigado a alcançar metas. Porque quando se tem o direito a alguma coisa, como por exemplo, o direito à vida ou o direito de respirar, você simplesmente usufrui desse direito. 
O problema é que, em educação, não é assim que funciona. A cultura você pode usufruir. A educação, você tem de alcançar. Então, educação é dever e cultura é direito. 

Tentar manter as pessoas acreditando que educação é uma extensão da religião ou mesmo uma extensão da ideologia é promover a má educação. E essa má educação acaba fazendo com que a violência se instale e ameace a sociedade. Essa violência pode vir de várias formas. Ela pode vir da criminalidade nascida nas favelas, como ela pode vir da organização de milícias de policiais ou de militares que obriguem a população se manter quieta e obediente.

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